ASTROLÁBIA #2
Encontros de Teatro
em Paredes
Inspirado no instrumento de navegação que lhe dá nome, o Astrolábia convida o público a embarcar num ciclo de apresentações que estimula a escuta e a partilha, criando espaço para muita lábia sobre as diferentes formas de pensar e fazer teatro. Em Paredes, o palco transforma-se num lugar de encontro e diálogo, onde companhias nacionais apresentam criações que refletem a diversidade do panorama teatral contemporâneo, funcionando como um ponto de convergência — à semelhança de quem se orienta pelas estrelas — entre criadores e o público.
Na sua segunda edição, os encontros propõem um debate em torno do "Exercício do Poder", acolhendo as companhias Estúdio Fontenova (Setúbal), Baal17 (Serpa) e Jangada Teatro (Lousada).
Quem decide o que é justo? Quem estabelece as regras?
Nesta edição, o ciclo propõe uma reflexão sobre as múltiplas formas de exercer o poder através de três obras que, apesar de nascerem em contextos distintos, permanecem profundamente atuais.
Em "A Bilha Quebrada", Heinrich von Kleist desmonta a autoridade de quem deveria garantir a justiça, revelando como o poder pode servir para ocultar a verdade em vez de a proteger. Em "Qual Estado Nação?", somos convidados a pensar os mecanismos políticos que constroem identidades e moldam a vida em comunidade. Já "A Barca", inspirada no "Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente, revisita a ideia de julgamento, confrontando-nos com as normas morais e sociais que determinam quem é absolvido, quem é condenado e quem tem legitimidade para decidir.
Num tempo em que a democracia e a liberdade exigem um debate cada vez mais atento, o teatro afirma-se como um importante espaço para observar criticamente o presente. Mais do que apresentar três espetáculos, o Astrolábia propõe um percurso de reflexão, convidando o público a interrogar as estruturas de poder que moldam a nossa sociedade e o lugar que ocupamos dentro delas.
50% da bilheteira desta edição será revertida para a Emaús – Associação de Apoio ao Deficiente Mental, com sede em Baltar, Paredes.
2ª EDIÇÃO
SETEMBRO A
NOVEMBRO DE 2026
LOCAL
CASA DA CULTURA DE PAREDES
EDIÇÃO #2
O Exercício do Poder

A BILHA QUEBRADA
05 DE SETEMBRO ÀS 21H30
Companhia: Baal 17
Texto: Heinrich von Kleist
Duração: 60'
Classificação: M/12 anos
Num tribunal de aldeia, a Dona Marta exige justiça: alguém invadiu o quarto da sua filha Eva durante a noite e partiu a sua bilha de estimação.
Adão, o juiz autoritário e corrupto, prepara-se para resolver o caso em benefício próprio, mas por azar nesse dia recebe a visita de uma Inspetora vinda da cidade.
Eva recusa-se a contar a verdade e as suspeitas caem sobre o seu noivo.
Para Dona Brígida, que nada lhe escapa, o Diabo está envolvido na questão.
Afinal, quem partiu a bilha da Dona Marta?
© Fabrice Ziegler

© Helena Tomás
QUAL ESTADO NAÇÃO?
03 DE OUTUBRO ÀS 21H30
Companhia: Teatro Estúdio Fontenova
Texto: Luísa Monteiro
Duração: 75'
Classificação: M/14 anos
Contrariando Schopenhauer, não é por se viver em círculos restritos que se é mais feliz. Aquando do período do Estado Novo, a ideia de que a vida das famílias que pertenciam aos pequenos círculos favorecidos pelo regime político era de harmonia e felicidade, padece de um erro de paralaxe. Havia que obedecer, calar, propagandear, estivesse-se ou não de acordo.
Depois do 25 de Abril de 1974, alguns segredos das famílias “distintas” começaram a ser libertados. Agora, estamos todos prisioneiros desses mesmos segredos. E não se dizem, e não se contam. “Qual Estado Nação?” abre a porta de um anexo de uma casa portuguesa e encontra “o que não se diz, o que não se conta” no campo da saúde mental de tal período. Seres para a morte: calculada, antecipada, civilizada? Continuamos prisioneiros de muitos segredos.

© Jangada Teatro
A BARCA
18 DE NOVEMBRO ÀS 15H00
Companhia: Jangada Teatro
A partir do "Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente
Duração: 70'
Classificação: M/12 anos
Sessão destinada ao público escolar
Nesta reinterpretação vibrante e nada convencional, encenada por John Mowat para a Jangada Teatro, o clássico de Gil Vicente serve apenas como ponto de partida para uma comédia centrada no poder da imaginação e no virtuosismo do ator.
Esqueçam os cenários grandiosos: aqui, a mítica barca é materializada por uma simples caixa de cartão. Através de um trabalho de interpretação físico e minimalista, o elenco desdobra-se em múltiplas personagens recorrendo a poucos adereços, ressaltando o incrível trabalho de transformação dos atores num espaço de metamorfose constante.
Uma peça que celebra a essência do teatro, onde o engenho e o humor se sobrepõem à tradição literal.
FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
DIREÇÃO ARTÍSTICA
Ângela Marques
Fernando Moreira
DESIGN GRÁFICO
Atelier d'Alves
ASSISTENTE DA DIREÇÃO ARTÍSTICA
Jaqueline Figueiredo
PRODUÇÃO
Astro Fingido
FINANCIAMENTO
República Portuguesa
Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes
APOIO
Município de Paredes

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